Foto: Alexandre Netto/ALMG

Insegurança hídrica em São Thomé das Letras mobiliza audiência na ALMG

A crise no abastecimento de água em São Thomé das Letras trouxe à tona graves questões ambientais e sociais, resultando na mobilização de uma audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O debate focou nas interrupções no fornecimento e na redução do volume de cachoeiras, afetando diretamente o cotidiano da população e a economia do turismo local.

Conflito Ambiental como Fator Central
Durante a audiência, representantes da comunidade e ambientalistas apontaram a mineração e o modelo de captação da Copasa no Bairro Cantagalo como os principais fatores de degradação ambiental. Embora a estatal tenha se posicionado negando uma relação direta com o desabastecimento, comprometeu-se a buscar alternativas para a extração de água em outras áreas da região.

Sobrecarga do Sistema e Impacto Turístico
O sistema de abastecimento da cidade, projetado para 9 mil pessoas, demonstra vulnerabilidade em períodos de pico, como feriados, quando a demanda atinge cerca de 30 mil visitantes. A Associação Socioambiental Água é Vida relatou que o último Réveillon registrou faltas d’água de até cinco dias. Ambientalistas como Rafael de Tomy destacaram que a mineração em pedreiras tem comprometido áreas de mata essenciais para a recarga do lençol freático. A moradora Andressa de Oliveira questionou a viabilidade de aumentar a pressão sobre o Ribeirão Cantagalo, fonte vital que sustenta as cachoeiras e o principal ativo turístico do município.

Posicionamento das Entidades
A Copasa defendeu a perfuração de poços profundos como estratégia de garantia do abastecimento extraordinário. O superintendente Nelson Guimarães explicou que o estudo visa captar água de aquíferos sem interferência direta na vazão superficial do Ribeirão Cantagalo. Contudo, a companhia concordou em estudar a possibilidade de perfurar poços fora da Bacia do Ribeirão Cantagalo. O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) reforçou seu papel fiscalizador sobre as outorgas de vazão.

A deputada Beatriz Cerqueira (PT), solicitante da audiência, exigiu respostas formais sobre a viabilidade da mudança definitiva do ponto de captação. Uma nova audiência está agendada para o dia 17/03, diretamente no município, visando dar continuidade ao acompanhamento das reivindicações populares.

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