Colheita do café movimenta produtores da região
O período de colheita do café está em pleno andamento na região de Três Corações, Sul de Minas, impulsionando os produtores rurais e aumentando a demanda por trabalhadores nas propriedades cafeeiras.
Um engenheiro agrônomo, Nelson Delu, explicou que a safra atual se apresenta com um cenário distinto em relação aos anos anteriores, principalmente devido à queda nos preços do café. Enquanto no ano passado as sacas de café variaram entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil, este ano os valores estão oscilando entre R$ 1,6 mil e R$ 1,7 mil, o que afeta diretamente os custos da colheita e a negociação com os trabalhadores rurais. A redução no valor da saca é um fator significativo, especialmente na colheita manual, onde produtores enfrentam dificuldades para manter os mesmos valores pagos aos colhedores observados na safra passada.
A cafeicultura na região possui diferentes realidades quanto ao método de manejo. Embora a mecanização seja predominante em algumas propriedades do Sul de Minas, permitindo o uso de maquinários, ainda existem áreas onde o relevo e as características do terreno exigem trabalho manual. Nelson Delu estimou que cerca de 70% da colheita na região é mecanizada, enquanto aproximadamente 30% depende da mão de obra manual. Regiões com terrenos mais acidentados, como áreas próximas a Lambari, Cambuquira e Carmo da Cachoeira, ainda mantêm o manejo majoritariamente manual durante todo o ano.
Diante do aumento na contratação de trabalhadores temporários neste período, o engenheiro agrônomo orientou os produtores sobre a necessidade de realizar as admissões de forma regularizada, respeitando todas as exigências da legislação trabalhista. Ele enfatizou que os empregadores devem buscar orientação contábil, realizar os registros adequados e garantir condições necessárias para os trabalhadores no campo, como estrutura, sanitários e locais apropriados para alimentação. Nelson Delu alertou que a fiscalização do Ministério do Trabalho costuma ser intensificada durante a colheita do café, especialmente nas propriedades que contratam mão de obra temporária. A regularização das contratações e o planejamento adequado são cruciais para evitar problemas futuros e possíveis penalidades aos produtores rurais durante a safra.
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